Domingo, 1º de maio de 1994, domingo de clássicos em todo pais, e todas as torcidas gritaram juntas o nome de Ayrton Senna, um momento marcante para a história do esporte nacional. Domingo, 16 de setembro de 2007, domingo de clássicos, mais uma vez a chance de todas as torcidas dos principais clubes do pais entrarem para a história pela porta da frente.
Dizem que em 1989, na Romênia, após a confirmarem a classificação para a Copa do Mundo de 1990, o povo foi às ruas comemorar a classificação para a Copa da Itália. Nessa mesma época, estava em curso e caminhava a passos largos o ocaso do regime comunista em todo leste europeu. Histórias contam que essas comemorações se transformaram em manifestações populares e a mobilização serviu para derrubar o sanguinário ditador Nicolae Ceauşescu.
Pois bem, neste final de semana, teremos estádios lotados em Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Não, não é hora de sermos golpistas, não é hora de juntarmos o povo e derrubarmos governos. É hora apenas de mostrarmos nossa indignação, é hora de colocarmos a cara na rua.
Independente de preferência política, esquerda, direita, centro, comunistas, capitalistas, democratas ou reacionários, o país está envergonhado, estamos estupefatos com os acontecimentos das últimas semanas, meses, anos. Será que vamos, mais uma vez ficar calados?
É hora de todas as torcidas do pais mostrarem, no circo, no teatro, na arena, onde Nélson Rodrigues disse que éramos entorpecidos pelo ópio que nos fazia esquecer de nossas mazelas, gritarmos contra a vergonha nacional que assolou nosso pais.
Para que a pizza, que surgiu após as reuniões da diretoria do Palmeiras, não seja servida com coisas muito mais sérias que o futebol. Para que nossos políticos não estraguem até mesmo nossa vontade de ir assistir nosso futebol de domingo.
Mas torcedor, já que o governo não faz nada, os senadores não fazem nada, já que a imprensa, até certo ponto é conivente com isso tudo, é a nossa hora de gritar “vergonha, vergonha, vergonha – senado sem vergonha”.