Tropa de Elite e o beabá da teoria da comunicação
October 15th, 2007 escrito por kabella
Nos últimos dias me tornei obcecado pelo filme Tropa de Elite, devo admitir. Assisti a copia alternativa do filme pelo menos 2 vezes e não havia feito uma leitura mais profunda do filme até assistir a entrevista do Rodrigo Pimentel e do Luis Padilha ontem à noite no programa da Marilia Gabriela na GNT.
Todo aluno de um curso superior de comunicação tem aulas de teoria da comunicação, aulas extremamente teóricas, arrastadas e chatas. Afinal fazemos Jornalismo para sermos colunistas esportivos, publicitários para vender carros ou relações públicas para entrarmos de graça em todas as festas. Ninguém está ali para estudar a teoria da coisa.
Mas voltando à entrevista de Luis Padilha, ele falou algo que não havia levado em conta, e ninguém próximo a mim tinha levado em conta. O Filme dá uma porrada muito forte no BOPE e faz uma crítica feroz aos seus métodos. Bom, eu não vi o filme desse jeito. e isso acabou me levando a uma reflexão sobre os reais motivos do sucesso do filme.
Tentarei ser sucinto: Em teoria da comunicação, existe o conceito básico de mensagem e repertório. Basicamente, para uma mensagem ser entendida por um público (individual ou coletivo), essa mensagem deve conter elementos que sejam de conhecimento dess público. Esse conhecimento do público, chamamos de repertório. Isso quer dizer: Se a mensagem tiver algo que faça parte do repertório do publico, esta sera captada e interpretada.
O publico brasileiro, me inclua nessa, colocou Capitão Nascimento como o novo herói nacional. Derrubou o Patrulheiro Rodoviário do cargo de Policial mais querido do Brasil e ainda ameaça inúmeros personagens históricos do cinema nacional na preferência popular. Luis Padilha, o diretor do filme, se mostrou preocupado com isso, afinal na visão dele Capitão Nascimento é um torturador, que tem métodos questionáveis de ação. Luis Padilha estudou em bons colégios, fez universidade, tem pós graduação, vive em um belo apartamento, tem seguro do carro, casa, vida. Seu repertório é vasto, leu Zuenir Ventura e Hélio Gaspari. Viajou o mundo. Tem sócios nos EUA.
E o grande público brasileiro? Eu, você, seu vizinho e sua prima? Qual a realidade que vivemos? Quanto somos afetados pela inoperância do estado? Quanto sentimos falta de um estado forte, operante, que resolva os crimes, que prenda os bandidos que nos de segurança? Outro aspecto importante do filme Tropa de Elite é que ele está encrustado em nossa sociedade: Ou você é um Policial Corrupto, ou voce é um policial honesto, ou você é o estado inoperante, ou você é um traficante ou simplesmente você uma classe média maconheira que faz passeata pela paz. Obviamente todos querem ser o Capitão Nascimento.
Tropa de Elite será visto de maneira diferente nos EUA e no resto do mundo. Eles não vivem a guerra do dia-a-dia do tráfico, não convivem com o ambiente retratado no filme. O repertório deles é diferente. Do mesmo jeito que interpretamos de maneira diferente filmes de guerra, policiais e de terrorismo, os norte-americanos irão captar a mensagem passada pelo filme de uma maneira bem diferente da nossa.
Para eles, Capitão Nascimento não será um heroi. Será apenas um criminoso como os traficantes que ele persegue.
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1 Comment »


October 17th, 2007 at 9:32 am
O diretor de Tropa de Elite, Luis Padilha, AMARELOU no programa da Marilha Gabriela. Nós vimos o filme,e é bem claro, não deixa dúvidas…Mostra o BOPE respeitado, sério, e atuando firme no combate ao narcotráfego. Foi patético ouvi-lo dizer, com voz mansa e com medo da entrevistadora, que não era essa a mensagem do filme, citou tortura varias vezes e que para os estrangeiros a idéia seria outra. Ao Diretor pergunto: qual é parceiro!! Seja Homem!!!Amarelou pra Marilia!